quarta-feira, 19 de abril de 2017

Evento Cultural - Eu, Daniel Blake


Nesse mês está acontecendo a mostra Inéditos/ Passou Batido no Palácio das artes, em que são escolhidos filmes estreados recentemente  que ficaram pouco tempo em cartaz ou não chegaram a ser exibidos nos cinemas de Belo Horizonte. A mostra, assim como outras que acontecem no cinema Humberto Mauro, é interessante por ser gratuita e acontecer por um período grande com horários durante a tarde e a noite, possibilitando que um público maior consiga ver os filmes que repetem algumas vezes durante a programação. O público presente parece ser de pessoas que já tem costume de frequentar as mostras dessa sala, ainda assim a divulgação feita através das redes sociais e do banner externo do Palácio das Artes parece ser eficiente. 



Um dos filmes exibidos é Eu, Daniel Blake que conta a história de um homem inglês de 50 anos que sofre um ataque cardíaco e não pode mais trabalhar, sendo obrigado a depender dos benefícios sociais do governo, quando conhece uma mulher e seus dois filhos que estão em situação similar. O filme é muito triste e sensível ao expor as tensões e conflitos entre o indivíduo, principalmente aqueles que estão de alguma forma em posição de vulnerabilidade social, e a burocracia de uma instituição como o estado. É difícil não se empatizar com o personagem que não sabe se comunicar, obter informações, ou qualquer outra atividade, através de tecnologias digitais e depende da disposição de outras pessoas para se aplicar ao requerimento feito para um órgão do governo, sendo levado aos poucos a uma condição de pobreza, vergonha social e desespero. Essa situação levanta questões sobre a internet e inclusão digital como direito social, e a burocracia do estado que torna acesso aos direitos sociais de forma impessoal e difícil, as vezes intencionalmente. 


Além disso, o filme retrata sobre o relacionamento que  passa a acontecer entre Daniel Blake e a mãe e os dois filhos, desenvolvendo uma amizade paternal, quando é confrontado com o envolvimento dela com prostituição, como forma de contornar a pobreza, e ele não consegue superar a situação, agravando seu definhamento a partir do seu próprio contexto.  Essa relação é demonstrada de uma forma muito bonita, sem simplificar a complexidade do relacionamento e as personalidades dos personagens.

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