domingo, 19 de março de 2017

Roupa e Arquitetura

As funções que as roupas e a arquitetura cumprem para os indivíduos possuem algumas similaridades, talvez as mais óbvias sejam o conforto (ou desconforto) e a sensação de segurança (ou insegurança) que podem ser geradas em decorrência do uso de determinada roupa ou permanência em certo ambiente arquitetônico. No entanto, a arquitetura cumpre funções diferentes da roupa, e ainda na contemporaneidade com as mudanças tecnológicas que geram uma nova concepção entre espaço público e privado, as roupas não conseguem substituir a funcionalidade da arquitetura. Por exemplo, uma vestimenta não é capaz de limitar a quantidade de informações e situações a que estamos expostos da forma como a arquitetura pode. Essa capacidade da arquitetura está sendo ressignificada devido as possibilidades que as tecnologias proporcionam, como contato imediato com todos conhecidos através de smartphones, ligações de vídeo, entre outras situações que trazem o público para dentro de um espaço que anteriormente era privado. Contudo, ainda temos controle dessa exposição pública, e o espaço físico continua sendo um refúgio para quando queremos restringir situações e informações, porém, roupas não tem essa funcionalidade. Além disso, nossos sentimentos  são sensoriais e muito ligados as sensações materiais, como sentar em um lugar confortável e bonito, entrar em um lugar grandioso, estar em um lugar que ninguém mais pode te ver, essas sensações são proporcionadas em grande parte pela arquitetura, e poderiam ser simuladas em parte por algumas tecnologias, mas não pelas roupas, pelo menos como as concebemos atualmente. Por fim, as roupas são a exposição da individualidade de cada um de forma direta e móvel, já que usualmente as usamos em todos espaços públicos, a arquitetura pode ser a expressão de mais indivíduos ao mesmo tempo e, comumente, não é tão móvel.

Após a discussão no Museu da Pampulha, a diferença entre arquitetura e roupa que mais me chamou atenção foi em relação ao potencial de estímulos que cada uma tem de proporcionar no indivíduo. Nesse sentido, a arquitetura abrange estímulos de diferentes naturezas, podem ser visuais, sensoriais, e relacionais, orientando o tipo de interação que as pessoas vão ter entre si e com o espaço. A roupa não cumpre essa função, apesar de também proporcionar estímulos para quem está vestindo e para as outras pessoas que interagem, contudo são estímulos muito mais limitados, ainda que também oriente algum tipo de interação, não é da forma direta característica da arquitetura.

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